10 cartazes poloneses para filmes americanos do século XX

Se você ainda não viu os cartazes de cinema poloneses, você não viu nada. Estes estranhos, abstratos, e sem dúvida artísticos cartazes levam a noção de cartaz de filme para muito além do básico. Para resumir, eles são absurdamente sensacionais.

Isto aconteceu porque na Polônia da metade do século XX, pôsteres se tornaram uma tela para expressão artística. Os artistas tinham total carta branca, e o resultado foi uma era de ouro do design de cartazes durante os anos 50 e 60 – período muitas vezes citado como a Escola do Cartaz Polonês. Porém, a influência desse movimento continuou forte até o final dos anos 80.

Listamos nossos 10 cartazes favoritos abaixo, cujo design marcante muitas vezes superou o cartaz oficial vindo dos estúdios de cinema.

Apocalypse Now
Artista: Waldemar Swierzy, 1981



Usando a mesma paleta de cor vermelho “inferno” que o cartaz original de Hollywood usou e o foco no rosto do Coronel Walter E. Kurtz (Marlon Brando), o design de Waldemar Swierzy é um estudo em se elevar um conceito emprestado. Apocalypse Now aqui é transformado de um lugar para uma pessoa: o toque de vermelho nas pupilas do Coronel evoca sua malevolência demoníaca. As marcas em seu rosto fazem com que ele pareça uma criatura de outro mundo que nossos olhos não conseguem entender. Com estes toques mínimos no design, o cartaz torna-se uma imagem assombrada, perturbadora que captura o mergulho em direção à loucura que o filme traz de forma tão impactante que você quase não quer emoldurá-lo e pendurá-lo na sua parede.

Atração Fatal
Artista: Maciej Kalkus, 1988



Uma combinação sensacional: uma cobra aparentemente inocente como uma metáfora nada inocente (ou sutil). Nunca em um milhão de anos você imaginaria um cartaz para Atração Fatal assim, mas ele resume de forma impressionante o filme com a simplicidade de um ouroboro. Veja como a maçã evoca o fruto proibido, neste caso, simbolizando como Dan (Michael Douglas) vai em busca de seu caso com Alex (Glenn Close). Simultaneamente, temos a cabeça da cobra colhendo a fruta, e você não precisa ser Freud para entender o que isso simboliza. Mas mais do que insinuações sexuais, há também a revelação da narrativa: a mão que busca a maçã será provavelmente mordida pela cobra que a segura, o que remete à perseguição violenta de Alex à Dan. Enfim, este cartaz demonstra as incríveis possibilidades de significado que muitos dos cartazes poloneses transmitiam sem nunca serem literais.

O Poderoso Chefão: Parte II
Artista: Andrzej Klimowski, 1976



Num primeiro olhar ele parece muito cheio de elementos – até mesmo confuso. Não há um ponto focal forte, a cabeça meio desfocada é talvez muito fantasmagórica, e a profundidade e os layers são difíceis de se distinguir (a pessoa está saindo do espelho, ou entrando no mesmo?). Mas com um pouco de trabalho – o qual arte boa geralmente incentiva – tudo se abre. O cartaz vira uma metáfora clara, se não inesperada, de Alice Através do Espelho para a famosa continuação do filme de Coppola. A paleta de cores extremamente escura evoca o tom do filme; o espelho representa a imagem sombria refletida na série do Sonho Americano; e o desaparecimento do homem representa o desaparecimento do personagem de Al Pacino como um cara comum até virar o Poderoso Chefão. Esse cartaz é um ótimo exemplo de como fazer uma audiência buscar sentido numa peça pode render excelentes recompensas.

Os Caçadores da Arca Perdida
Artista: Miroslaw Lakomski, 1981



Uma imagem relativamente simples do arqueólogo favorito de todo mundo, até que você considere as cores: um fundo azul vivo junto com uma paleta não convencional (sombras pretas, junto com tons de vermelho e amarelo) usada para colorir Indiana Jones. Poderia distrair o público, mas você quase não nota por causa das setas indo em direção e para fora do rosto do Harrison Ford, que atraem os olhos de forma poderosa. Elas demonstram uma técnica de design simples e maravilhosa para evocar significado – neste caso, como Os Caçadores da Arca Perdida mostra Indiana Jones sendo puxado para todas as direções à medida em que ele navega uma lista sem fim de cenas de ação. O artista Miroslaw Lakomski usa setas – que falam de movimento – porque Indiana Jones está sempre se movendo.

O Retorno de Jedi
Artista: Witold Dybowski, 1984



Acontecem muitas coisas em O Retorno de Jedi, mas o maior momento do filme realmente e a redenção e a revelação de Darth Vader. É quase entregar o filme a maneira em que esse cartaz diz tanto com apenas uma imagem: o capacete de Darth Vader literalmente (e explosivamente) saindo, ao mesmo tempo sem revelar nada porque o cartaz tem que preservar ao menos um pouco do mistério. É ao mesmo tempo um ótimo design e uma imagem incrível. Mas, como outros cartazes poloneses, ele diz mais por não ser tão direto Ele também aborda de maneira interessante a crise de identidade, a quebra da imagem de Darth Vader que achávamos que conhecíamos, em favor do Anakin de dentro, que toca seu coração e salva seu filho da morte.

Rocky
Artista: Edward Lutczyn, 1978



Qualquer um que tenha assistido Rocky, o Lutador sabe que se trata não apenas de um filme de boxe mas também de uma história de amor. Esse design polonês captura de maneira invejável os dois temas com um toque de design brilhante: luvas de boxe que também são um coração, grande e vermelho.

Crepúsculo dos Deuses
Artista: Waldemar Swierzy, 1957



No momento em que você vê a imagem do artista Swierzy da quase-Medusa Norma Desmond (Gloria Swanson) de olhos arregalados você pensa, “perfeito!”. É de admirar especialmente a escolha genial de transformar o cabelo caindo de sua cabeça em películas de filme, o que evoca não apenas o quanto Norma se vê ligada aos filmes, mas como a decadência de sua carreira cinematográfica ao longo dos anos reduziu-a à uma estrela do passado.

Um Corpo que Cai
Artista: Roman Cieslewicz, 1963



Saul Bass certamente não teria feito desse jeito. Este é um ótimo exemplo de como a Escola do Cartaz Polonês estava disposta a se distanciar totalmente das imagens de publicidade tradicionais – ou das imagens dos filmes em si. E ainda, Um Corpo que Cai está bem aí. Os círculos com cores vivas na testa do crânio (onde o cérebro se aloja) evocam tanto o medo de altura de James Stweart no filme, quanto também sua obsessão em recriar sua ex-namorada falecida na pessoa de sua nova namorada. E ainda que a caveira seja quase “heavy metal”, ela serve como uma representação (muito) literal de como Um Corpo que Cai é na verdade um filme sobre morte. Dada a famosa morbidade de Alfred Hitchcock, você pode imaginar que ele teria adorado esse cartaz.

Jogos de Guerra
Artista: Mieczyslaw Wasilewski, 1985



Que melhor maneira de se representar um filme sobre a possibilidade de se destruir o mundo ao apertar um botão do que mostrando um dedo gigantesco apertando o planeta como a um botão. Você pode achar que o fundo amarelo parece muito alegre para um cenário tão baixo astral, mas sabe o que? Ele remete perfeitamente ao tipo de filme pipoca, divertido, em que um cenário negativo é rebatido com uma garantia de que tudo vai acabar bem.

Uma Secretária de Futuro
Artista: Andrzej Pagowski, 1990



Tudo bem, talvez esse cartaz não seja uma representação correta do filme. A imagem cativante de uma mulher escalando um homem cuja cabeça virou uma escada sugere que o filme é sobre uma mulher que tem que superar homens para atingir sucesso em sua carreira. Na verdade, o obstáculo que Tess (Melanie Griffith) encara é outra mulher Ainda assim, o motivo pelo qual adoramos esse cartaz é que o designer aproveita Uma Secretária de Futuro para falar uma mensagem maior: a realidade que muitas mulheres profissionais têm que enfrentar. A imagem incrível de Andrzej Pagowski captura o sucesso corporativo construído por homens que mulheres precisam competir com para chegar em qualquer lugar. É uma imagem impressionante, vinda de um filme leve, para fazer um discurso mais importante.

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Artwork dos leitores | #16

Olá nostálgicos, depois de tanto tempo sem postar essa categoria finalmente chegamos a décima sexta exposição dos trabalhos dos leitores, é ótimo ver trabalhos de qualidade voltados para o tema retrô. A seleção de hoje é bem inspiradora, tem ilustração, ensaio fotográfico, e uma série de posters tipográficos com uma bela composição de músicas brasileiras.



Lucas Marcomini  Designer | Gália - SP

Vinícius Gonçalves  Designer | Cândido Mota - SP

“Dois amigos de faculdade, ambos contrabaixistas, admiradores de quadrinhos, desenhistas, fãs de cinema, nerd/geek admiradores e breve conhecedores de boa música. Formados em Design, trabalhamos juntos com que o mais gostamos de fazer: Arte e Design. O projeto Rock Brasil consiste em uma pequena homenagem a música nacional, mais especificamente ao gênero do rock, que com algumas bandas e artistas icônicos como Raul Seixas, Titãs, Os Paralamas do Sucesso, Engenheiros do Hawaii, Capital Inicial, Raimundos, Legião Urbana e muitos outros, marcaram o seu lugar em diversos momento da nossa cultura social e midiática. O trabalho da Rock Brasil é o de unir trechos clássicos de músicas desses artistas nacionais aliado ao design tipográfico. Muitas artes amadoras com frases de músicas são vistas em redes sociais, a ideia foi a de contextualizar com a essência do trecho, da música ou do artista a fotografia de background além das cores e saturação de imagens, e é claro tipografias que "conversam" diretamente com o conteúdo. A essência da criação dessas artes tem base no estilo retrô, e todo o seu charme e simplicidade, o ponto é harmonizar elementos retrô e elementos contemporâneos sem perder a linha na finalização do trabalho. Mais do que simples posts para redes sociais o trabalho na Rock Brasil sempre teve como foco a conceitualização e harmonização do conteúdo com o visual. Uma passagem interessante da nossa breve história nesses dois anos fazendo artes, foram os protestos de Junho de 2013 onde toda a identidade visual dos posts foi de encontro com o momento em que o público da página, em média jovens de 18 à 28 anos, estavam vivendo. Músicas marcadas na história do cenário nacional com o foco na indignação com o cenário do país e com nossos representantes políticos, foram revividas intensamente com artes utilizando fotografias das manifestações e tipografias manuscritas e corroídas representando a intensidade e a força dos brasileiros. O trabalho na Rock Brasil nunca foi realmente um trabalho para nós designers, apesar de já termos recebido propostas para criar estampas de camisetas, canecas e alguns outros produtos, ainda criamos nossas artes por prazer e amor ao design, e todo o processo de elaboração nos ajuda a mantermos ativos criativamente buscando sempre novas tendências de design, para mais do que manter um padrão de qualidade, buscar sempre superá-lo.” - Lucas Marcomini e Vinícius Gonçalves












Richard Melchiades – Designer | Goiânia – GO


“A história por trás dessa ilustração foi a partir de um convite para desenvolver uma série de pinups que estampariam uma linha de produtos (sketchbooks, camisetas, cartazes e almofadas) do Ateliê Modah. Após uma rápida pesquisa, foi desenvolvido um esboço que foi digitalizado e finalizado no Photoshop, utilizei uma mesa digitalizadora para dar o acabamento necessário. Após publicarmos no pinterest, a imagem virou um sucesso na rede e sempre encontramos ela por ai em blogs com essa temática rockabilly, vintage, etc. Acredito que o pessoal goste muito desse tipo de trabalho e estamos pensando em lançar mais uma ilustração com esse tema em breve.” - Richard Melchiades












Solimar Correia e Alexandre Yamamoto – Fotógrafos | Recife – PE


Ensaio de gestante nos anos 1950, diferente e ousado. Nós queríamos sair do clichê, fazer algo realmente diferente, passar a sensação de que voltamos ao passado e tiramos as fotografias. Casal: Larissa Andrade e Pedro Andrade | Fotografia/edição/Produção - figurino: SK Fotografia | Maquiagem: Alice Souza.






Já essa manipulação fotográfica, foi um trabalho descontraído que serviu para explorar a nossa criatividade e mostrar as nossas técnicas de edição. Quem tiver interesse em aprender por meio de um passo-a-passo, aqui o link. Modelo: Élen Emídio | Fotografia/edição/Produção - figurino: SK Fotografia.





E aí curtiram os trabalhos? Quer ver o seu trabalho aqui também? Saiba como clicando aqui. Até o próximo Artwork dos leitores, e não se esqueçam de divulgar esse espaço cedido a vocês, se tiver algum amigo que tenha algo nesse estilo para mostrar indique-o pra cá! ;)


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O estilo Grunge

O grunge fez e faz muito sucesso no mundo da moda, é uma grande aposta para quem gosta de elaborar looks alternativos e despojados, e é um estilo bem legal para o inverno.

O Grunge é um subgênero do rock alternativo que surgiu no final da década de 1980 e início dos anos 1990, em Seattle (EUA). Esse estilo de música derivou-se da mistura dos movimentos de punk e heavy metal. As bandas de maior sucesso da época foram Nirvana e Pearl Jam, elas impulsionaram a popularidade do rock alternativo bem como marcaram a moda com o jeito desleixado e rebelde de se vestir. Kurt Cobain (1967-1994), vocalista da banda Nirvana foi o símbolo máximo do visual grunge.



O termo Grunge significa “sujeira”, ele descreve tanto o estilo visual (cabelo desgrenhado, roupas velhas e folgadas) de bandas e fãs, quanto o som saturado e distorcido das guitarras que dão o tom das músicas (Via).



Esse visual bagunçado e descompromissado era exatamente o oposto da moda na época. As roupas usadas pelos músicos grunges e pelos jovens roqueiros viam de brechós e roupas típicas da região (como as camisas xadrez de flanela), além disso se vestiam com muitas sobreposições, calças jeans rasgadas, bermudas largas, all star bem sujo e cabelos longos e despenteados.

O grunge é um estilo comum entre os homens e as mulheres, e eu listei algumas dicas de como se vestir com um ar mais despojado.

Camisas xadrez de flanela

A camisa xadrez de flanela é uma peça chave no guarda-roupas grunge. Tanto os homens quanto as mulheres podem usá-la no tamanho grande sobre uma camisa de mangas curtas ou cumpridas. Ela também pode ser usada amarrada na cintura. A estampa xadrez também fica ótima em mini saias para as meninas.



Jeans rasgado

Jeans rasgados são outro marco do estilo grunge, melhor ainda quando ele é desbotado e um pouco mais justo no corpo. As mulheres podem usar shorts combinados com meias calças, isso cria um aspecto bem alternativo e próprio do estilo grunge.



Calçados

O bom e velho All star é sempre a melhor escolha tanto para o público masculino como para o público feminino, além de confortáveis é uma peça símbolo do grunge. Botas, coturnos e outros tipos de sapatos com cano alto também são bem vindos.



Acessórios

Gorros e bandanas são adornos para esse estilo, as meias rasgadas não podem faltar no guarda-roupas das grunges, elas podem ser usadas com shorts, saias e vestidos no estilo baby doll. Correntes e pulseiras de couro também compõem o look.



Camisas de bandas

Outro ponto importante nesse estilo são as camisas da banda favorita, tanto para homens quanto para as mulheres. São ótimas para fazer a sobreposição de roupas.



Eu gosto de observar nesses movimentos musicais fortes, a forma de influenciar a moda e o comportamento de toda uma geração, e como eles podem ser reinterpretados na atualidade sem perder suas principais características.

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Imagens via: Shutterstock e Pinterest.