10 cartazes poloneses para filmes americanos do século XX

segunda-feira, maio 18, 2015


Se você ainda não viu os cartazes de cinema poloneses, você não viu nada. Estes estranhos, abstratos, e sem dúvida artísticos cartazes levam a noção de cartaz de filme para muito além do básico. Para resumir, eles são absurdamente sensacionais.

Isto aconteceu porque na Polônia da metade do século XX, pôsteres se tornaram uma tela para expressão artística. Os artistas tinham total carta branca, e o resultado foi uma era de ouro do design de cartazes durante os anos 50 e 60 – período muitas vezes citado como a Escola do Cartaz Polonês. Porém, a influência desse movimento continuou forte até o final dos anos 80.

Listamos nossos 10 cartazes favoritos abaixo, cujo design marcante muitas vezes superou o cartaz oficial vindo dos estúdios de cinema.

Apocalypse Now
Artista: Waldemar Swierzy, 1981


Usando a mesma paleta de cor vermelho “inferno” que o cartaz original de Hollywood usou e o foco no rosto do Coronel Walter E. Kurtz (Marlon Brando), o design de Waldemar Swierzy é um estudo em se elevar um conceito emprestado. Apocalypse Now aqui é transformado de um lugar para uma pessoa: o toque de vermelho nas pupilas do Coronel evoca sua malevolência demoníaca. As marcas em seu rosto fazem com que ele pareça uma criatura de outro mundo que nossos olhos não conseguem entender. Com estes toques mínimos no design, o cartaz torna-se uma imagem assombrada, perturbadora que captura o mergulho em direção à loucura que o filme traz de forma tão impactante que você quase não quer emoldurá-lo e pendurá-lo na sua parede.

Atração Fatal
Artista: Maciej Kalkus, 1988


Uma combinação sensacional: uma cobra aparentemente inocente como uma metáfora nada inocente (ou sutil). Nunca em um milhão de anos você imaginaria um cartaz para Atração Fatal assim, mas ele resume de forma impressionante o filme com a simplicidade de um ouroboro. Veja como a maçã evoca o fruto proibido, neste caso, simbolizando como Dan (Michael Douglas) vai em busca de seu caso com Alex (Glenn Close). Simultaneamente, temos a cabeça da cobra colhendo a fruta, e você não precisa ser Freud para entender o que isso simboliza. Mas mais do que insinuações sexuais, há também a revelação da narrativa: a mão que busca a maçã será provavelmente mordida pela cobra que a segura, o que remete à perseguição violenta de Alex à Dan. Enfim, este cartaz demonstra as incríveis possibilidades de significado que muitos dos cartazes poloneses transmitiam sem nunca serem literais.

O Poderoso Chefão: Parte II
Artista: Andrzej Klimowski, 1976


Num primeiro olhar ele parece muito cheio de elementos – até mesmo confuso. Não há um ponto focal forte, a cabeça meio desfocada é talvez muito fantasmagórica, e a profundidade e os layers são difíceis de se distinguir (a pessoa está saindo do espelho, ou entrando no mesmo?). Mas com um pouco de trabalho – o qual arte boa geralmente incentiva – tudo se abre. O cartaz vira uma metáfora clara, se não inesperada, de Alice Através do Espelho para a famosa continuação do filme de Coppola. A paleta de cores extremamente escura evoca o tom do filme; o espelho representa a imagem sombria refletida na série do Sonho Americano; e o desaparecimento do homem representa o desaparecimento do personagem de Al Pacino como um cara comum até virar o Poderoso Chefão. Esse cartaz é um ótimo exemplo de como fazer uma audiência buscar sentido numa peça pode render excelentes recompensas.

Os Caçadores da Arca Perdida
Artista: Miroslaw Lakomski, 1981


Uma imagem relativamente simples do arqueólogo favorito de todo mundo, até que você considere as cores: um fundo azul vivo junto com uma paleta não convencional (sombras pretas, junto com tons de vermelho e amarelo) usada para colorir Indiana Jones. Poderia distrair o público, mas você quase não nota por causa das setas indo em direção e para fora do rosto do Harrison Ford, que atraem os olhos de forma poderosa. Elas demonstram uma técnica de design simples e maravilhosa para evocar significado – neste caso, como Os Caçadores da Arca Perdida mostra Indiana Jones sendo puxado para todas as direções à medida em que ele navega uma lista sem fim de cenas de ação. O artista Miroslaw Lakomski usa setas – que falam de movimento – porque Indiana Jones está sempre se movendo.

O Retorno de Jedi
Artista: Witold Dybowski, 1984


Acontecem muitas coisas em O Retorno de Jedi, mas o maior momento do filme realmente e a redenção e a revelação de Darth Vader. É quase entregar o filme a maneira em que esse cartaz diz tanto com apenas uma imagem: o capacete de Darth Vader literalmente (e explosivamente) saindo, ao mesmo tempo sem revelar nada porque o cartaz tem que preservar ao menos um pouco do mistério. É ao mesmo tempo um ótimo design e uma imagem incrível. Mas, como outros cartazes poloneses, ele diz mais por não ser tão direto Ele também aborda de maneira interessante a crise de identidade, a quebra da imagem de Darth Vader que achávamos que conhecíamos, em favor do Anakin de dentro, que toca seu coração e salva seu filho da morte.

Rocky
Artista: Edward Lutczyn, 1978


Qualquer um que tenha assistido Rocky, o Lutador sabe que se trata não apenas de um filme de boxe mas também de uma história de amor. Esse design polonês captura de maneira invejável os dois temas com um toque de design brilhante: luvas de boxe que também são um coração, grande e vermelho.

Crepúsculo dos Deuses
Artista: Waldemar Swierzy, 1957

No momento em que você vê a imagem do artista Swierzy da quase-Medusa Norma Desmond (Gloria Swanson) de olhos arregalados você pensa, “perfeito!”. É de admirar especialmente a escolha genial de transformar o cabelo caindo de sua cabeça em películas de filme, o que evoca não apenas o quanto Norma se vê ligada aos filmes, mas como a decadência de sua carreira cinematográfica ao longo dos anos reduziu-a à uma estrela do passado.

Um Corpo que Cai
Artista: Roman Cieslewicz, 1963


Saul Bass certamente não teria feito desse jeito. Este é um ótimo exemplo de como a Escola do Cartaz Polonês estava disposta a se distanciar totalmente das imagens de publicidade tradicionais – ou das imagens dos filmes em si. E ainda, Um Corpo que Cai está bem aí. Os círculos com cores vivas na testa do crânio (onde o cérebro se aloja) evocam tanto o medo de altura de James Stweart no filme, quanto também sua obsessão em recriar sua ex-namorada falecida na pessoa de sua nova namorada. E ainda que a caveira seja quase “heavy metal”, ela serve como uma representação (muito) literal de como Um Corpo que Cai é na verdade um filme sobre morte. Dada a famosa morbidade de Alfred Hitchcock, você pode imaginar que ele teria adorado esse cartaz.

Jogos de Guerra
Artista: Mieczyslaw Wasilewski, 1985


Que melhor maneira de se representar um filme sobre a possibilidade de se destruir o mundo ao apertar um botão do que mostrando um dedo gigantesco apertando o planeta como a um botão. Você pode achar que o fundo amarelo parece muito alegre para um cenário tão baixo astral, mas sabe o que? Ele remete perfeitamente ao tipo de filme pipoca, divertido, em que um cenário negativo é rebatido com uma garantia de que tudo vai acabar bem.

Uma Secretária de Futuro
Artista: Andrzej Pagowski, 1990


Tudo bem, talvez esse cartaz não seja uma representação correta do filme. A imagem cativante de uma mulher escalando um homem cuja cabeça virou uma escada sugere que o filme é sobre uma mulher que tem que superar homens para atingir sucesso em sua carreira. Na verdade, o obstáculo que Tess (Melanie Griffith) encara é outra mulher Ainda assim, o motivo pelo qual adoramos esse cartaz é que o designer aproveita Uma Secretária de Futuro para falar uma mensagem maior: a realidade que muitas mulheres profissionais têm que enfrentar. A imagem incrível de Andrzej Pagowski captura o sucesso corporativo construído por homens que mulheres precisam competir com para chegar em qualquer lugar. É uma imagem impressionante, vinda de um filme leve, para fazer um discurso mais importante.

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2 comentários

  1. Nossa, que incrível! Nunca na vida eu ia pensar que se tratavam de cartazes de Filme...Muito legal!!!

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  2. Adorei os cartazes, eles são verdadeiras obras de artes.

    Muito bom

    Abraços.

    Ronaldo Santos
    http://blog.ronaldosantos.com/

    ResponderExcluir

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